
A viga baldrame é o tipo de fundação rasa mais utilizado no Brasil para sustentar edificações de pequeno e médio porte
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O início de qualquer obra de engenharia exige atenção absoluta aos detalhes técnicos que ficarão escondidos sob a terra. Muitas vezes, a empolgação com os acabamentos, com a pintura e com a decoração faz com que o construtor apresse as fases iniciais da construção. No entanto, negligenciar a base é o caminho mais rápido para enfrentar problemas sérios na estrutura do imóvel no futuro.
A viga baldrame é o tipo de fundação rasa mais utilizado no Brasil para sustentar edificações de pequeno e médio porte. Ela funciona como um anel de amarração que conecta os pilares estruturais e suporta diretamente o peso de todas as paredes da edificação. Por esse motivo, compreender o passo a passo para a execução de baldrames é indispensável para engenheiros, mestres de obras e proprietários.
A execução da viga baldrame envolve passos cruciais para criar uma fundação sólida e evitar umidade. O processo exige marcação do terreno, escavação de valas, preparo do lastro, montagem das armaduras e formas, concretagem, cura e impermeabilização antes do início da alvenaria. Cada uma dessas fases possui exigências normativas que blindam o imóvel contra danos severos.
Para garantir uma fundação durável e sem patologias, é fundamental seguir à risca cada uma das etapas técnicas do processo. Quando pulamos ou executamos mal um desses passos, abrimos espaço para o surgimento de trincas estruturais, portas emperradas e aquela incômoda umidade que destrói o reboco. Acompanhe a seguir o roteiro detalhado para não errar no seu canteiro.
O primeiro passo prático em campo é a montagem do gabarito de madeira, estrutura que servirá de referência para toda a geometria da construção. Faça a locação exata da obra utilizando estacas e linhas para definir os eixos das paredes. Essas linhas podem ser feitas de arame ou fio de nylon resistente, esticadas de uma extremidade à outra do terreno.
A maior preocupação técnica do carpinteiro ou do mestre de obras nessa etapa é garantir que o cruzamento dessas linhas defina eixos em 90 graus. Esse cuidado milimétrico garante que a obra fique perfeitamente no esquadro. Uma locação desalinhada fará com que todos os cômodos fiquem tortos, gerando sérios problemas na fase de colocação de pisos e telhados.
Com as linhas posicionadas e validadas, os operários utilizam cal ou tinta spray para demarcar a projeção das valas diretamente no solo. Essa pintura serve como o guia visual que os escavadores, manuais ou mecânicos, seguirão para remover a terra exatamente onde as vigas de fundação passarão, otimizando o tempo.
Com as marcações feitas, inicia-se a movimentação de terra para abrir espaço para o alicerce. Cave as valas no solo conforme as dimensões indicadas no projeto estrutural. É fundamental que a profundidade e a largura respeitem as orientações do engenheiro calculista, pois valas menores reduzem a capacidade de carga.
Durante o processo de escavação, a equipe deve garantir que o fundo das valas esteja perfeitamente nivelado e bem compactado. Solos que sofreram perturbações mecânicas ou que possuem terra muito fofa precisam ser apiloados com maços manuais ou compactadores sapo para evitar que a viga sofra afundamentos localizados.
A terra retirada das valas deve ser depositada a uma distância segura da borda da escavação. Isso evita que o material caia de volta no furo devido à chuva ou ao tráfego de pessoas e garante que a vala permaneça limpa para receber as etapas seguintes da execução da fundação.
Com as valas limpas e compactadas, o fundo da terra não pode receber o concreto estrutural de forma direta. Para evitar que o concreto entre em contato direto com a terra, é necessário criar uma barreira física de proteção. O contato direto faria com que o solo sugasse a água do concreto fresco, prejudicando a sua cura.
A técnica recomendada pelos manuais de engenharia consiste em derrame água para saturar o solo e despeje uma camada de concreto magro. Essa camada de regularização deve apresentar uma espessura de 5 a 10 cm, funcionando como uma base limpa e perfeitamente plana para o assentamento das próximas fases.
Caso a obra não utilize o concreto magro, outra opção aceita é a aplicação de um lastro de brita compactada no fundo da vala. O objetivo principal é o mesmo: impedir a contaminação do concreto e evitar que as ferragens fiquem em contato com a terra úmida, o que causaria a oxidação prematura do aço estrutural.
A armação é o esqueleto da viga baldrame, responsável por absorver os esforços de tração e flexão que atuam sobre a fundação. Posicione a armadura de aço sobre espaçadores adequados. Essa ferragem é geralmente calculada com barras longitudinais e estribos de aço amarrados com arame recozido.
O uso de espaçadores, também conhecidos no canteiro como calços, é obrigatório por norma técnica. O aço nunca deve tocar o solo ou as fôrmas, garantindo o cobrimento correto do concreto. Esse cobrimento mínimo de alguns centímetros de concreto protege a ferragem contra a umidade, evitando os processos de oxidação e corrosão.
Nesta etapa, o armador deve ter atenção redobrada nos pontos de transição e encontro de cargas. Faça a amarração correta nos cruzamentos e nos arranques, que são as esperas de ferro deixadas para os futuros pilares. Esses arranques devem ficar bem ancorados e verticais para receber as colunas da casa de forma contínua.
Com as armaduras posicionadas, o canteiro de obras prepara o molde que dará o formato final às vigas de concreto armado. Instale as formas laterais com cuidado. Elas podem ser feitas de tábuas de madeira tradicional, compensado resinado ou até de blocos de alvenaria de vedação, dependendo do que o projeto prever.
O segredo para uma boa caixaria reside no travamento mecânico das peças. Verifique se as formas estão perfeitamente alinhadas, aprumadas e muito bem travadas. O concreto é um material extremamente denso e pesado, e qualquer falha no travamento fará com que as fôrmas cedam ou abram com o peso do concreto fresco.
Fôrmas que abrem durante a concretagem geram o desperdício de cimento e criam as chamadas “barrigas” na viga. Essas deformações estéticas e geométricas atrapalham o posterior levantamento das paredes de alvenaria e geram gastos excessivos com reboco para tentar corrigir o alinhamento das paredes de tijolos.
A concretagem é um dos momentos mais dinâmicos e que exige sincronia total da equipe de campo. Despeje o concreto preenchendo todo o espaço interno da forma. Esse material pode ser o concreto usinado trazido por caminhões betoneira ou feito na própria obra com um traço de materiais adequado e bem controlado.
Lançar o concreto é apenas metade do trabalho; o adensamento é o que garante a resistência da peça. Adense o concreto utilizando um vibrador de imersão de forma padronizada. A vibração mecânica elimina as bolhas de ar internas e evita falhas, conhecidas na construção como nichos de concretagem ou bicheiras estruturais.
O operador do vibrador de imersão deve introduzir a agulha verticalmente no concreto e retirá-la lentamente, evitando tocar nas armaduras de aço ou nas fôrmas de madeira. A vibração excessiva também é prejudicial, pois pode causar a segregação dos materiais, separando a brita pesada da pasta de cimento.
Após o término do lançamento e do nivelamento da superfície superior da viga, o concreto inicia o seu processo químico de endurecimento. Após a concretagem, mantenha o concreto úmido por um período de pelo menos 7 dias jogando água constantemente. Esse processo de hidratação contínua é chamado de cura úmida.
A cura é fundamental para que o material atinja a resistência mecânica projetada pelo engenheiro calculista. Se o concreto secar muito rápido devido ao sol ou ao vento, surgirão fissuras de retração que enfraquecem a estrutura da viga. Molhar o baldrame nos primeiros dias garante a qualidade do cimento.
A retirada das fôrmas laterais de madeira deve respeitar o tempo de endurecimento inicial do concreto. Retire as fôrmas após cerca de 24 horas do endurecimento inicial da peça. Essa desforma deve ser feita com cuidado, utilizando ferramentas adequadas para não quebrar os cantos vivos da viga baldrame recém-moldada.
Chegamos à etapa que define a saúde de longo prazo de toda a edificação. A falta de proteção contra a água do subsolo é a maior causa de patologias em residências. Aplique um impermeabilizante rígido ou flexível na superfície superior da viga e também em suas laterais. O uso de pintura asfáltica é o método mais comum.
Esse passo bloqueia a ascensão de umidade por capilaridade do solo para a base das paredes. O solo natural possui umidade constante e, sem essa barreira impermeável, a água sobe pelos poros dos tijolos e da argamassa, resultando em futuras paredes mofadas e no reboco esfarelando com o tempo.
A impermeabilização deve receber várias demãos cruzadas do produto escolhido, cobrindo cada poro do concreto sem deixar nenhuma falha. Trata-se de um investimento de baixo custo durante a fase de fundação, mas cujo valor de reparo após a casa pronta e decorada torna-se extremamente elevado e complexo de realizar.
1. Qual a função real da viga baldrame na fundação? A viga baldrame conecta as colunas da obra e distribui o peso das paredes de alvenaria diretamente no solo ou nas estacas profundas de apoio.
2. Por que é obrigatório usar concreto magro no fundo da vala? O concreto magro cria um lastro que evita o contato direto do concreto estrutural e do aço com a terra, impedindo a perda de água e a oxidação.
3. O que acontece se a ferragem encostar na madeira da fôrma? Se encostar, a estrutura não terá o cobrimento mínimo de concreto necessário, deixando o aço exposto à umidade do solo e causando sua corrosão acelerada.
4. Qual o tempo mínimo necessário para molhar o concreto após o lançamento? O processo de cura exige que o concreto seja mantido úmido por pelo menos 7 dias seguidos para alcançar a sua resistência mecânica projetada.
5. Posso levantar as paredes da casa logo após desformar o baldrame? O ideal é aguardar o período de cura inicial e realizar a impermeabilização completa de todas as faces da viga antes de assentar os primeiros tijolos.
6. Como a umidade sobe do solo para as paredes se eu não impermeabilizar? A água sobe por um fenômeno físico chamado capilaridade, onde os microporos do concreto e dos tijolos funcionam como pequenos canudos que sugam a umidade.
7. Qual a profundidade ideal de escavação para as vigas baldrames? A profundidade padrão acompanha as dimensões indicadas no projeto estrutural, ficando geralmente posicionada entre 40 cm e 60 cm abaixo do nível do solo.
8. Onde posso solicitar o serviço especializado de fundação rasa e profunda? Você pode entrar em contato diretamente com a equipe técnica da Alps Fundações através do nosso canal de atendimento rápido pelo WhatsApp: (19) 3834-2120.
A execução correta de cada fase da viga baldrame é a melhor garantia de que o seu investimento imobiliário estará protegido contra patologias crônicas de umidade e movimentações estruturais perigosas. Confiar essa etapa crítica a profissionais experientes e que utilizam tecnologia adequada elimina riscos e promove uma economia real de materiais em campo.
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